Comentário do filme "A menina que roubava livros"

Li o livro de Markus Suzak já faz mais de 5 anos, e confesso que não me lembrava dos principais acontecimentos da história. Por isso, ir ao cinema ver o filme foi uma experiencia de encontro com o inesperado. De original, já é possível citar de cara o locutor da história: a morte. "Ninguem vive para sempre" pode parecer uma afirmação obvia, mais ao mesmo tempo, assustadora. Como um carrasco que não se pode fujir, a morte é sempre inesperada e precoce, por mais que demore. E são as palavras da morte que mais nos tocam nessa história.
Assisti a história de Liesel, é um misto de dor e beleza. Que crime mais bonito do que o de roubar livros, roubar conhecimento, roubar as palavras? É na beleza desse delito que os acontecimentos da vida dessa garota se norteiam, e é isso que importa. E a guerra? A guerra é o plano de fundo, me atrevo a dizer que nem é o objetivo central da obra. Está ali, para lembrar que mesmo nos tempos mais difíceis pode-se encontrar algo maior. Mas é difícil não pensar na brutalidade da guerra, na crueldade da eugenia e de toda serie de sofrimento, causado por um motivo tão mesquinho. A guerra é o ápice do egoismo, e é também onde se pode perceber mais claramente a solidariedade. O que parece um contrassenso, está muito bem expresso nesse filme.
Impossível não assistir ao filme sem sentir um calafrio ao pensar que nem tudo ali é ficção...que tantas pessoas morreram e sofreram, e as marcas nunca somem. A história de Liesel, é tambem a história da humanidade. O evento marcado no filme nunca será esquecido, e esta marcado em um passado que o tempo não apaga. Porém, o mais expressivo, é o amor. O amor de uma menina que sofre tanto. Que é vitima de tantas injustiças, que é impossível não sentir a sua dor, e se compadecer por ela.
O filme é lindo! E essa não é uma critica de cinema, e sim uma impressão de quem aprecia boas histórias, e essa, é sem dúvida, é uma que merece ser vista.
Confesso que chorei. Não! Confesso que chorei muito. Não me orgulho, mas também não me envergonho do fato, porque ele expressa que eu não apenas assisti ao filme, mas eu senti o filme. O que é ainda melhor. E é o que espero que aconteça com quem vá de encontro com "A menina que roubava livro", que sintam, não apenas vejam. Que se encontrem com a morte, e se emocionem com ela.
