quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ruby Sparks - A Namorada Perfeita

 
 
 
 
 
 
Ontem fui ao cinema, em uma experiência que não havia tido até então, de ir ver um filme sozinha.Motivos que não cabem aqui comentar, me fizeram entrar naquela sala e escolher um local aleatório e observar aos poucos, os outros indivíduos que entraram.
 
Primeiro um casal, que sentou duas fileiras antes da minha, depois uma senhora aparentando seus 50 anos, e apesar da sala estar quase vazia decidiu sentar em minha fileira, separada de mim apenas por uma cadeira de meu lado direito. Depois entrou um rapaz, que se sentou duas cadeiras afastado de mim, ao meu lado esquerdo. Alguns minutos depois entraram duas garotas, conversando, rindo e sentaram-se bem mais a frente, perto da tela. Por fim, mas duas amigas que sentaram na fileira a minha frente, e um senhor que sentou próximo a elas.
 
Esse sao os personagens que fizeram parte daquele cenário, ao qual o destino, por algum motivo, por mim desconhecido, me colocou.
 
Fiquei observando, principalmente as pessoas que estavam ali sozinhas, como eu, e pensando: O que fizeram elas estarem aqui hoje? Ao olhar a senhora ao meu lado, a mesma gemia em alguns momentos, e exclama expressões como : meu deus...baixinho. Pensei que talvez não se sentisse bem, ou que talvez estivesse se sentindo só, ou triste e decidira então assistir ao filme. O rapaz, que entrou de forma muito confortável, instalou suas coisas na cadeira ao lado, colocou os pés levantados na poltrona da frente, e tomava um milkshake, me pareceu totalmente acostumado a situação. Talvez um estudante que não tinha algo pra fazer, e decidiu assistir o filme de horário mais próximo...não sei.
 
Por último, o senhor, não tive muito o que perceber, ja que o mesmo entrou e se manteve impassível, totalmente absorto, e não me pareceu expressar nada.
 
E eu. Eu estava lá, sozinha, pela primeira vez, observando, pensando nos motivos que me fizeram chegar até ali, e qual o significado que a experiência me traria.
 
O filme começou! titulo: Ruby Sparks - A Namorada Perfeita. O titulo não era muito sugestivo para mim, pensando bem na situação em que me encontro, mas o enrredo me interessou, e o horário me era o mais conveniente, então...lá estava eu.
 
Assistindo, um escritor, um jovem de não mais que vinte e poucos anos com um bloqueio imaginativo, uma serie de inseguranças, uma mente confusa, que sonhou com uma garota. Não uma garota qualquer, mas a garota perfeita.
 
Calvin criou Ruby em um momento de sonho, e a detalhou tão especificamente, em seus mínimos detalhes, defeitos e qualidades, que ela era quase humana.
 
Ao acordar, escreveu compulsivamente sobre sua garota, a qual ele já estava completamente apaixonado. O que ele não imaginava é que Ruby se tornaria real, o que de fato aconteceu no decorrer do filme. Ela simplesmente passou a existir, e estava lá, com ele, vivendo em sua casa, como todos de carne e osso. Calvin ficou inicialmente assustado, pensado que havia enlouquecido, mas logo percebeu que era real, todos podiam ve-la, ela existia.E ele descobriu que tudo que escrevesse em relação a ela se tornava realidade, ele podia fazê-la do jeito que queria, apenas com qualidades, mas decidiu não modificá-la, porque a amava como ela era.
 
Porém, com o tempo Ruby mudou, passou a se afastar um pouco dele, e com medo de perdê-la Calvin começou a mudá-la. Primeiro, escreveu que ela só se sentiria bem estando com ele, então ela grudou em Calvin de forma histérica, e a miníma ideia de se afastarem a deixava destruída. Vendo ela daquela forma, e sem poder nem ir ao banheiro sem uma crise de choro de Ruby, Calvin a escreveu como sempre repleta de felicidade. E puft! Lá estava ela, sempre feliz, rindo, irritantemente feliz! Calvin nao sabia o que fazer, ela não era mais perfeita...A cada coisa nova que ele escrevia para melhorá-la algo dava errado, e Ruby não era mais a mesma.
 
Então Calvin percebeu que havia apenas um modo de consertar tudo, um modo de Ruby ser feliz. Entao ele escreveu: Ruby foi embora, e não era mais criação do Calvin. Ela estava livre. A partir daí, ele não teria mais poder sobre ela, não poderia mudá-la, ela estava livre para fazer o que quisesse, inclusive se afastar dele.
 
Então Ruby foi...
 
No final do filme Calvin reencontra Ruby, que agora já não lembra mais de quando ela era criaçao dele, e não o reconhece. Mas ela ainda é a namorada perfeita, porque Calvin ainda a ama, mesmo não podendo mudá-la. É nesse momento, que Calvin percebe o significado do amor, que é algo que não é perfeito, e que não pode ser mudado. Agora finalmente eles podem ficar juntos.
 
O fime é muito bonito, muito sensivel, e fala de amor da forma mais pura. Mostra o amor como algo tão profundo, tão complicado, que não dá espaço para retoques. Mostra que amar, é simplesmente se entregar, se conformar. Longe de ser perfeito, o amor ideal é aquele que não quer nada mais do que o ser amado.
 
Saí do filme com a sensação de que ele me serviu como uma mensagem, um aviso. Me mostrou algo que eu precisava ver, logo. E me fez pensar, como é difícil aceitar o amor assim, cheio de defeitos.Ao mesmo tempo, percebi que só assim o amor é pleno, é feliz, é amor.
 
Ao final de minha experiencia, quando todos se levantaram e a luz acendeu, percebi que valeu a pena ter ido até ali, e fiquei com a sensaçao de que não foi por acaso que entrei naquela sala. Algo mudou pra mim depois de ter vivido aquele momento, e isso é o que importa.
 
Aconselho a quem quiser assistir um filme, intrigante, belo, e repleto de amor; ndicou Ruby Sparks - A Namorada Perfeita. Acho difícil alguém sair desse filme sem rever seu conceito de amor, e apenas por isso, ele já vale a pena.
 
Eu revi o meu...Espero que não seja tarde...
 
 
 

domingo, 7 de outubro de 2012

Humanidade

Humanidade

Nada nos contenta!
Tudo nos dá medo!
Somos seres fracos e pequenos...
Julgamos compreender o incompreensível,
o inexplicável!
Ai, somos tolos e fracos.

Subestimamos a natureza.
Mas aos poucos ela nos mostra sua grandeza...

Criamos um mundo louco.
Onde somos prisioneiros
de nossas regras.
E nem assim nos damos conta,
que tudo que a gente ama
é a creça em uma verdade
que nao temos.

Somos vendedores de ilusão,
Buscando encontrar
uma razão que não existe.

(MRM- 25/03/10)

domingo, 24 de junho de 2012

Em uma noite, fria e chuvosa, onde pensamentos confusos e em alguns momentos torturantes, passam pela minha mente, escrevo pra espantar minha tristeza demente, que cisma em me chamar. Mas ela sempre vai embora na hora certa, nem antes, nem depois, apenas o tempo preciso para me mostrar como não há dor que jamais se cure.








Ter você de volta


Eu queria ter você de volta
Como naquela tarde,
a me esperar na porta.
Com a chama que ainda arde.


Esse sonho, agora, impossível
Pois você já se perdeu
N floresta invisível,
Onde ainda existe você  e eu.


E o amanhecer, 
Que outrora me fez florescer,
Agora já não mais existe.


Apenas a escuridão, 
esconderijo de minha ilusão
É a unica que inda me assiste.


(Mirella Rocha)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Noturnos
                                               (foto da peça "Noturnos")

Volto a escrever, depois de longo período de ausencia, por motivos que não vale a pena nomear.
        Trago aqui o pequeno comentário de uma espectadora ignorante, mas que se deixou envolver e refletir.
Nesses dia de férias, onde maior parte de meu tempo dedico a total arte da indolencia e da preguiça, tirei pequeno espaço do meu tempo para assistir a peça "Noturnos", exibida aqui em Recife, durante o Festival Janeiro de Grandes Espetáculos. Gosto muito do teatro, pois é um ambiente onde me sinto bem, onde a mente viaja, assim como o cinema, mas no teatro é mais forte, os personagens estão ali em carne e osso, e a emoção é diferente.
        Mas essa peça em especial, me fez refletir sobre muitas coisas, sentimentos, solidão, loucura, amor, acima de tudo amor! E por isso, achei dign oescrever algumas palavras sobre o espetáculo.
Ambientada em cenário caótico, escuro, 3 estórias se passam, revelando personagens ao mesmo tempo únicos e comuns.Pessoas invisíveis! Aquelas pessoas que passamos ao lado pela rua todos os dias e fingimos que não existem, a parte marginalizada.Marginalizada, não no sentido pejorativo utilizado hoje, como bandidos, mas sim no sentido de pessoas que estão á margem da sociedade, excluídas.As pessoas que muitas vezes a História reneja.As pessoas que na história oficial não tem vez, a história criticada por Benjamim, onde só os vencedores são mencionados, grandificados, aquela que serve parta "legitimar a ordem social presente".
         Noturnos conta exatamente a hisória do oposto de tudo isso, a versão dos vencidos. Seres que esquecemos por conveniencia, mas que tem sonhos, desejos e papel na sociedade. Por estarmos tão mergulhados nas misérias do mundo, esquecemos de enxergar essas pessoas. Uma pena para nós, que deixamos de apreender a ser umildes, e perceber a grandiosidade que pode existir nas pequenas coisas.
        Ao longo da peça, os pequenos gestos de amizade, companheirismo, amor, nos fazem pensar sobre valores morais, sobre o que é ser humano...e ter humanidade.
        Ao ver diante de nossos olhos, sonhos destruídos, a miséria, a insanidade, nos perguntamos: Será que os loucos não somos nós? Nós, que não sonhamos mais, que não nos imporatmos mais com os outros, que perdemos aos poucos a sensibilidade.
        A mulher cega e sua companheira, o morador de rua desequilibrado e obceno, o palhaço bebado e decadente, e a moça que só sabia tocar a mesma música, nos fazem refletir sobre temas tão profundos que nos incomodam, nos inquietam. São personagens tão simples e tão intensos, que podemos fechar os olhos e imaginá-los andando pelas ruas.E é por isso que se tornam tão especiais, ao menos para mim.
       Por me fazer pensar em coisas absurdas e me trazer sentimentos tão profundos, decidi escrever sobre "Noturnos", da Cia. Fiandeiros de Teatro, produzida em nosso Recife, demonstrando que  aqui não se faz apenas peças escandálosas, de personagens bizarros e irritantemente vázios!
       Não quis fazer uma descrição do espetáculo, e sim apenas expressar tudo que ele me fez pensar, de bom e ruim. Espero que o mesmo se apresente outras vezes e tenha o sucesso que merece.
Ps: Aos que perderam o Janeiro de Grandes Espetáculos, lamento muito, pois é uma oportunidade rara de ver produções muito boas a preço simbólico.

Mirella Rocha