sábado, 11 de fevereiro de 2012

Noturnos
                                               (foto da peça "Noturnos")

Volto a escrever, depois de longo período de ausencia, por motivos que não vale a pena nomear.
        Trago aqui o pequeno comentário de uma espectadora ignorante, mas que se deixou envolver e refletir.
Nesses dia de férias, onde maior parte de meu tempo dedico a total arte da indolencia e da preguiça, tirei pequeno espaço do meu tempo para assistir a peça "Noturnos", exibida aqui em Recife, durante o Festival Janeiro de Grandes Espetáculos. Gosto muito do teatro, pois é um ambiente onde me sinto bem, onde a mente viaja, assim como o cinema, mas no teatro é mais forte, os personagens estão ali em carne e osso, e a emoção é diferente.
        Mas essa peça em especial, me fez refletir sobre muitas coisas, sentimentos, solidão, loucura, amor, acima de tudo amor! E por isso, achei dign oescrever algumas palavras sobre o espetáculo.
Ambientada em cenário caótico, escuro, 3 estórias se passam, revelando personagens ao mesmo tempo únicos e comuns.Pessoas invisíveis! Aquelas pessoas que passamos ao lado pela rua todos os dias e fingimos que não existem, a parte marginalizada.Marginalizada, não no sentido pejorativo utilizado hoje, como bandidos, mas sim no sentido de pessoas que estão á margem da sociedade, excluídas.As pessoas que muitas vezes a História reneja.As pessoas que na história oficial não tem vez, a história criticada por Benjamim, onde só os vencedores são mencionados, grandificados, aquela que serve parta "legitimar a ordem social presente".
         Noturnos conta exatamente a hisória do oposto de tudo isso, a versão dos vencidos. Seres que esquecemos por conveniencia, mas que tem sonhos, desejos e papel na sociedade. Por estarmos tão mergulhados nas misérias do mundo, esquecemos de enxergar essas pessoas. Uma pena para nós, que deixamos de apreender a ser umildes, e perceber a grandiosidade que pode existir nas pequenas coisas.
        Ao longo da peça, os pequenos gestos de amizade, companheirismo, amor, nos fazem pensar sobre valores morais, sobre o que é ser humano...e ter humanidade.
        Ao ver diante de nossos olhos, sonhos destruídos, a miséria, a insanidade, nos perguntamos: Será que os loucos não somos nós? Nós, que não sonhamos mais, que não nos imporatmos mais com os outros, que perdemos aos poucos a sensibilidade.
        A mulher cega e sua companheira, o morador de rua desequilibrado e obceno, o palhaço bebado e decadente, e a moça que só sabia tocar a mesma música, nos fazem refletir sobre temas tão profundos que nos incomodam, nos inquietam. São personagens tão simples e tão intensos, que podemos fechar os olhos e imaginá-los andando pelas ruas.E é por isso que se tornam tão especiais, ao menos para mim.
       Por me fazer pensar em coisas absurdas e me trazer sentimentos tão profundos, decidi escrever sobre "Noturnos", da Cia. Fiandeiros de Teatro, produzida em nosso Recife, demonstrando que  aqui não se faz apenas peças escandálosas, de personagens bizarros e irritantemente vázios!
       Não quis fazer uma descrição do espetáculo, e sim apenas expressar tudo que ele me fez pensar, de bom e ruim. Espero que o mesmo se apresente outras vezes e tenha o sucesso que merece.
Ps: Aos que perderam o Janeiro de Grandes Espetáculos, lamento muito, pois é uma oportunidade rara de ver produções muito boas a preço simbólico.

Mirella Rocha


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