quarta-feira, 26 de março de 2014

Se alguns infinitos são menores que outros...A culpa é das estrelas!





Hazel Grace vai morrer! Inevitavelmente ela vai morrer. Mas isso não é o pior. A morte em si, é apenas um fato inevitável da vida. Morrer não é uma escolha, mas uma certeza exata. Mas você saber que uma garota de dezesseis anos, que está apaixonada por um cara incrível vai morrer de câncer, é um fato muito triste. E quando se conhece Hazel e Augustus, você entende isso.
Quando eu comecei a ler o livro não me impressionei muito com Augustus Water. Mas ao longo da história ele trouxe reflexões muito profundas. E a Hazel!! Haa a Hazel..ela sim, é um personagem incrível. Porque ela quebra com todas as idéias idiotas de que, se você está morrendo de uma doença incurável você precisa ser forte, você precisa ser corajoso. Hazel é de todas as formas possíveis, humana. Ela tem seus momentos de raiva, sua insatisfação com o mundo, seus medos. E é por ser tão imperfeita, que ela é, para mim, a personagem inteiramente real.
Comecemos a falar de medos...Augustus tem medo de ser esquecido. Na verdade, ele tem meio que uma ideia obstinada de fazer algo grandioso antes de morrer, e ficar para sempre marcado, deixar uma “cicatriz” no mundo. Acho que todo mundo tem um pouco desse desejo, mas no fim das contas isso é uma grande bobagem. “Querer transmitir um legado, sobreviver à morte”, é muito pra uma vida só. A única cicatriz que ele vai deixar é em Hazel. E essa já é grande o suficiente.
Hazel, por outro lado, tem medo de magoar os outros com sua morte, o que também é algo bastante plausível. Mas acho que ela concordaria que esse é apenas mais um efeito colateral inevitável de se estar morrendo. Quanto aos efeitos colaterais, esse foi um ponto que me chamou muita atenção no livro. Afinal, tudo acaba sendo um efeito colateral de alguma coisa, se pensarmos bem. Morrer é um efeito colateral de se estar doente, e viver pode ser um efeito colateral de ter nascido. Mas no caso de Hazel, quase tudo era um efeito colateral do câncer. Que a impedia de correr, que a fazia respirar com dificuldade, e que a qualquer momento a faria deixar de estar viva.
O seu “pós-sentimento” em relação ao Augustus era bastante justificável por boa parte da história. Tipo, ela estava morrendo, e ele estava curado. Ela não queria fazer ele sofrer. Como se alguém pudesse impedir o sofrimento... Mas no final das contas...nada é tão previsível. Nem o câncer.
Mas o fato é: “toda historia tem uma hamartia sólida como uma rocha: a dela estar tão doente; a sua, estar tão bem. Se ela estivesse melhor ou o senhor, mais doente, então as estrelas não estariam tão terrivelmente cruzadas, mas é da natureza das estrelas se cruzar” Hazel era a estrela-cruzada da vida de Augustus, e quem pode mudar isso? E quando Augustus “ascendei feito uma arvore de natal” e mostrou ser feito de câncer....pronto! Tudo estava cruzado! A culpa era toda das estrelas!  
Não foi justo quando Hazel viu Gus, tão inteiramente atraente em seu lindo terno, em uma noite em que ambos beberam estrelas, e pouco depois teve que o ver no mesmo terno, dentro do seu caixão. Injustiça deve ser outro efeito colateral do câncer.
As estrelas deram apenas o tempo deles se amarem, e depois os separaram para sempre, em um infinito que se mostrou muito pequeno, mas não insuficiente. “ Existe uma quantidade infinita de números entre o 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,2 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre 1 e o milhão. Alguns infinitos são maiores que outros...Há dia, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto limitado. Queria muitos mais números do que provavelmente vou ter...Mas, Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito.”
A beleza está em olhar para o nosso pequeno número limitado e perceber que ele foi o bastante. O bastante para amar e ser amado. O bastante para sofrer e ser feliz. E apenas o suficiente entre viver e morrer. Porque morrer não precisa ser um fim trágico, mas viver deve, necessariamente, ser a melhor forma de aproveitar o pequeno infinito que temos. No fim das contas, os verdadeiros heróis são os que “reparam” nas coisas. No fim das contas, o importante é aceitar suas escolhas. Hazel aceitou as dela.



Green, John. A culpa é das estrelas. Rio de janeiro. Intrínseca, 2012.

domingo, 16 de março de 2014







Comentário filme 12 Anos de Escravidão.

Como de costume, venho fazer um breve cometário de uma experiencia cinematográfica interessante, sem a pretensão de fazer uma critica de cinema ou algo do tipo, pois aqui me baseio apenas na minha experiencia pessoal. Motivos que me levaram a sala de cinema: Ver o filme que está sendo tão comentado e que recebeu tantas indicações ao Oscar. Alem disso, o tema também me chamou atenção. Falar da escravidão sempre é algo complicado, por dois motivos. Primeiro por se tratar de um tema polemico, que envolve uma herança histórica de descriminação e tortura infligida aos negros, mancha que não se apaga da Historia da humanidade. Em segundo lugar, porque toca no tema do preconceito racial, ainda tão presente na sociedade moderna, e que é um efeito colateral do processo de escravidão.
Bom...sabendo dessas questões, esperar algo novo de um tema que já foi tao utilizado pelo cinema, televisão e mídia em geral, não é tarefa fácil. 
Confesso desde início, que por motivos externos cheguei atrasada na sessão, o que me fez perder 10 minutos iniciais do filme. Ou seja, quando entrei na sala, Solomon já era escravo. Como já li a respeito, sei que inicialmente ele era livre e foi enganado com uma proposta de emprego, que o levou ao Sul dos EUA, ainda escravocrata na época, ano de 1841. Ao chegar lá, foi submetido a condição de escravo, sendo vendido e repassado a "donos". De cara, a figura de Solomon já é interessante. Um músico, culto, negro, na época, de certo não era algo comum. Apos a recusa inicial a nova realidade, o personagem acaba que assumindo outra identidade e fazendo o possível para permanecer vivo, diante das circunstancias que lhe são apresentadas, em busca da oportunidade de fuja. 
O filme envolve muito sofrimento, não apenas de Soloman, mas dos outros escravos a ele ligados. Em especial, a escrava Patsey, alvo do desejo insano de seu senhor, que é destaque da obra, em minha opinião. 
Questões a serem levantadas:
1. A loucura dos senhores de escravos. O filme dá um ar insano e cruel ao principal dono de Solomon, mostrando como a crença de ser "dono" de outro ser humano é algo complexo e doentio. Sabendo da relação dos Estados Unidos com a propriedade privada, é possível pensar que o sentimento de posse em relação ao escravo foi ainda mais forte e monstruoso nesse local. 
2. A figura da mulher branca: No filme, as senhoras são retratadas como submissas e vazias, sendo destaque a figura doentia da mulher do principal dono de Solomon, citado acima. Igualmente insana, ao sentir ciume do marido com a escrava, ela debruça durante o filme todo sua ira e desdem em relação aos escravos. Talvez suas palavras sejam as mais ofensivas do filme.
3. O desejo da morte. Humilhados, torturados, e expostos a níveis cruéis de trabalho forçado, a morte aparece como um alvo de desejo. Expresso pela negra Patsey. 
Para mim, Solomon é a figura de condução da historia, mas serve para apontar questões ainda mais importantes. Baseado em fatos reais, o filme é bastante impactante. Imagens bem elaboradas, excelentes atuações, e roteiro que permite a reflexão. Quem não se sentir angustiado com as cenas de sofrimento da obra, pode se considerar insensível. 
A volta de Solomon a sua casa, o reencontro com a família, é a expressão de uma exceção. Mas a escolha em contar essa estória de exceção não empobrece o filme, apenas o torna mais comercial, afinas, as pessoas gostam de finais felizes. Ou pelo menos, um pouco menos tristes. 
Pontos que deixaram a desejar:  Como o titulo revela, sabemos que o filme se passa em doze anos, mas a passagem de tempo não fica bem clara na obra. Nem o tempo histórico em que a trama acontece é bem explicitado. 
Apesar disso, é um filme de merecimento. Não extremamente inovador para o tema, mas muito comovente.

quarta-feira, 5 de março de 2014
























Suja de terra


Tem gente que vive pela metade. 
Que gosta de acreditar que é muito bom, que é muito certo.
Tem medo do que os outros vão pensar.
Mais medo do castigo que Deus pode lhes dar...

Então se convence que é feliz escondida numa bolha,
Aonde a dor não chega,
E o prazer não faz visita.

Tem gente que tem tanto medo do perigo,
Que acaba esquecendo que só Adão e Eva que viveram no paraíso.
E que o mundo real é feito de queda e precipício,
E a vida é um misto de lamento e riso.

Julgar! Apontar! Discriminar!
Joga a seta na minha cara e mostra o quanto eu to pecando.
Usa minhas falhas pra justificar seus próprios erros.

Nessa vida cada um sabe qual é a prioridade.
A minha é sair na rua e quebrar a cara de verdade.
A sua pode ser ficar em casa pedindo piedade.

Senhor!! Vem comigo caminhar na escuridão.
Segura a minha mão, que pode ser que eu vá na contramão.
Mas meu coração é puro!
A minha carne é que vai acabar suja de terra...como a de todos nós.

Mirella Rocha 05/03/14

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014


Comentário do filme "A menina que roubava livros"



A Menina que Roubava Livro



          Li o livro de Markus Suzak já faz mais de 5 anos, e confesso que não me lembrava dos principais acontecimentos da história. Por isso, ir ao cinema ver o filme foi uma experiencia de encontro com o inesperado. De original, já é possível citar de cara o locutor da história: a morte. "Ninguem vive para sempre" pode parecer uma afirmação obvia, mais ao mesmo tempo, assustadora. Como um carrasco que não se pode fujir, a morte é sempre inesperada e precoce, por mais que demore. E são as palavras da morte que mais nos tocam nessa história.
           Assisti a história de Liesel, é um misto de dor e beleza. Que crime mais bonito do que o de roubar livros, roubar conhecimento, roubar as palavras? É na beleza desse delito que os acontecimentos da vida dessa garota se norteiam, e é isso que importa. E a guerra? A guerra é o plano de fundo, me atrevo a dizer que nem é o objetivo central da obra. Está ali, para lembrar que mesmo nos tempos mais difíceis pode-se encontrar algo maior. Mas é difícil não pensar na brutalidade da guerra, na crueldade da eugenia e de toda serie de sofrimento, causado por um motivo tão mesquinho. A guerra é o ápice do egoismo, e é também onde se pode perceber mais claramente a solidariedade. O que parece um contrassenso, está muito bem expresso nesse filme. 
         Impossível não assistir ao filme sem sentir um calafrio ao pensar que nem tudo ali é ficção...que tantas pessoas morreram e sofreram, e as marcas nunca somem. A história de Liesel, é tambem a história da humanidade. O evento marcado no filme nunca será esquecido, e esta marcado em um passado que o tempo não apaga. Porém, o mais expressivo, é o amor. O amor de uma menina que sofre tanto. Que é vitima de tantas injustiças, que é impossível não sentir a sua dor, e se compadecer por ela.
         O filme é lindo! E essa não é uma critica de cinema, e sim uma impressão de quem aprecia boas histórias, e essa, é sem dúvida, é uma que merece ser vista.
       Confesso que chorei. Não! Confesso que chorei muito. Não me orgulho, mas também não me envergonho do fato, porque ele expressa que eu não apenas assisti ao filme, mas eu senti o filme. O que é ainda melhor. E é o que espero que aconteça com quem vá de encontro com "A menina que roubava livro", que sintam, não apenas vejam. Que se encontrem com a morte, e se emocionem com ela.

Mirella Rocha

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A lua






A lua é um pedaço meu que fugiu e foi ao céu se abrigar.
A cada olhar meu, sinto ela me chamar
Ela é minha parte mais brilhante,
Que ao iluminar a imensidão negra, se apresenta triunfante.

É ela, um espelho da minha alma,
Transmitindo a calma,
Que em meu corpo, já não mais habita.

Dentre o negro céu,
Eu me torno a estrela mais brilhante.
Apenas encoberta pelo véu
Das nuvens,tão sombrias...

Se em terra, possuo a palidez suave,
Nas alturas, minha imagem
Resplandece...

Em comum,
Temos o mistério sombrio,
E a indecifrável tristeza da noite.

MRM