Comentário filme 12 Anos de Escravidão.
Como de costume, venho fazer um breve cometário de uma experiencia cinematográfica interessante, sem a pretensão de fazer uma critica de cinema ou algo do tipo, pois aqui me baseio apenas na minha experiencia pessoal. Motivos que me levaram a sala de cinema: Ver o filme que está sendo tão comentado e que recebeu tantas indicações ao Oscar. Alem disso, o tema também me chamou atenção. Falar da escravidão sempre é algo complicado, por dois motivos. Primeiro por se tratar de um tema polemico, que envolve uma herança histórica de descriminação e tortura infligida aos negros, mancha que não se apaga da Historia da humanidade. Em segundo lugar, porque toca no tema do preconceito racial, ainda tão presente na sociedade moderna, e que é um efeito colateral do processo de escravidão.
Bom...sabendo dessas questões, esperar algo novo de um tema que já foi tao utilizado pelo cinema, televisão e mídia em geral, não é tarefa fácil.
Confesso desde início, que por motivos externos cheguei atrasada na sessão, o que me fez perder 10 minutos iniciais do filme. Ou seja, quando entrei na sala, Solomon já era escravo. Como já li a respeito, sei que inicialmente ele era livre e foi enganado com uma proposta de emprego, que o levou ao Sul dos EUA, ainda escravocrata na época, ano de 1841. Ao chegar lá, foi submetido a condição de escravo, sendo vendido e repassado a "donos". De cara, a figura de Solomon já é interessante. Um músico, culto, negro, na época, de certo não era algo comum. Apos a recusa inicial a nova realidade, o personagem acaba que assumindo outra identidade e fazendo o possível para permanecer vivo, diante das circunstancias que lhe são apresentadas, em busca da oportunidade de fuja.
O filme envolve muito sofrimento, não apenas de Soloman, mas dos outros escravos a ele ligados. Em especial, a escrava Patsey, alvo do desejo insano de seu senhor, que é destaque da obra, em minha opinião.
Questões a serem levantadas:
1. A loucura dos senhores de escravos. O filme dá um ar insano e cruel ao principal dono de Solomon, mostrando como a crença de ser "dono" de outro ser humano é algo complexo e doentio. Sabendo da relação dos Estados Unidos com a propriedade privada, é possível pensar que o sentimento de posse em relação ao escravo foi ainda mais forte e monstruoso nesse local.
2. A figura da mulher branca: No filme, as senhoras são retratadas como submissas e vazias, sendo destaque a figura doentia da mulher do principal dono de Solomon, citado acima. Igualmente insana, ao sentir ciume do marido com a escrava, ela debruça durante o filme todo sua ira e desdem em relação aos escravos. Talvez suas palavras sejam as mais ofensivas do filme.
3. O desejo da morte. Humilhados, torturados, e expostos a níveis cruéis de trabalho forçado, a morte aparece como um alvo de desejo. Expresso pela negra Patsey.
Para mim, Solomon é a figura de condução da historia, mas serve para apontar questões ainda mais importantes. Baseado em fatos reais, o filme é bastante impactante. Imagens bem elaboradas, excelentes atuações, e roteiro que permite a reflexão. Quem não se sentir angustiado com as cenas de sofrimento da obra, pode se considerar insensível.
A volta de Solomon a sua casa, o reencontro com a família, é a expressão de uma exceção. Mas a escolha em contar essa estória de exceção não empobrece o filme, apenas o torna mais comercial, afinas, as pessoas gostam de finais felizes. Ou pelo menos, um pouco menos tristes.
Pontos que deixaram a desejar: Como o titulo revela, sabemos que o filme se passa em doze anos, mas a passagem de tempo não fica bem clara na obra. Nem o tempo histórico em que a trama acontece é bem explicitado.
Apesar disso, é um filme de merecimento. Não extremamente inovador para o tema, mas muito comovente.

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